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Precisamos conversar sobre o Coletor Menstrual

 

Antes de começar esse post advirto: se você tem nojinho em falar/ler sobre sangue e secreções, nem continue a ler esse post. Não tem imagens fortes, nem explícitas, mas falo claramente sobre algo muito ínitmo – menstruação.

De uns dois anos para cá, meu fluxo menstrual começou a ser algo que me incomoda imensamente. São quase três décadas desse longo “relacionamento”, que já é naturalmente desgastante, imagina após tanto tempo.  Soma-se a isso um fluxo absurdo que comecei a ter desse tempo para cá, onde só o absorvente interno dava conta.
Ano passado comecei a pesquisar sobre o coletor menstrual e me interessei, especialmente pelo fato de poder passar um longo período de horas sem sequer perceber que o fluxo estava acontecendo.
Para quem ainda não sabe o que é, explico: é uma espécie de copinho, normalmente feito de silicone médico, que é encaixado na entrada do colo do útero criando uma barreira e coletando o fluxo. Pode ser usado por até 12 horas consecutivas, inclusive para dormir.
Porque cria essa “barreira”, você só tem contato com o fluxo menstrual na hora que retira e descarta o que foi coletado no copinho. Nos outros momentos, você sequer percebe o coletor (desde que esteja inserido de maneira correta) ou vê o fluxo. Não é animador?
Como não é um hábito de investimento baixo – um coletor custa, em média R$ 80 reais, comecei testando o descartável (da prudence) para ver se me adaptava.
E foi excelente saber que estava menstruada, mas só ter conhecimento deste fato, visualmente falando, uma ou duas vezes ao dia!
Animada, comprei e comecei a usar um coletor tradicional, aqueles copinhos feitos de silicone.
O período inicial de adaptação aos copinhos não é tão simples quanto o descartável.  Porque a colocação, até você entender como o mecanismo funciona e a posição correta dele, é algo que demanda certa paciência. Mas depois que você passa dessa fase inicial, é só alegria.
No início, também senti mais cólicas, por causa da posição e do vácuo que o copinho cria. Mas depois que achei a posição ideal de inserção e encaixe, esse problema acabou.
Minha maior dificuldade foi achar uma dobra que abrisse facilmente depois que o produto é inserido no colo do útero. Me encontrei com a “meio diamante”:

 

Imagem: Estrangeira

 

Experimentei três tipos:

 

Descartável (Prudence):

O melhor para quem está começando ou quer testar o método.
É mais fácil de colocar que o copinho e não tem a haste que os de silicone têm, e o formato  possibilita manter relações sexuais, já que não abrange toda a parte interna da vagina, fica certinho na entrada do colo.
Mas é mais enrolado e menos higiênico na hora de retirar.

 

Fleurity:

 

 

É o mais popular, porque é mais facilmente encontrado e tem melhor custo benefício (é vendido em kits com dois copinhos a R$ 90).
Mas é meio chatinho até você se adaptar com a dobra e encaixe. E tem uma haste que é mais larguinha (acabei cortando a minha), que, dependendo da posição que você coloca, incomoda.
Porém, é mais fácil e mais higiênico na hora de tirar que o antecessor descartável.

 

Korui:

 

 

Um dos preferidos por quem já está mais por dentro do assunto. Foi indicado por uma amiga que já usava. É o que tenho usado nos quatro últimos ciclos e achei melhor que os anteriores que testei, por ser mais firme. Tem várias cores fofas e está disponível em três tamanhos –
para fluxos leves, normais e intensos. O normal atende a maior parte das pessoas.
Conforme fui pesquisando o porquê adotar o coletor, também aprendi que quando as fibras do absorvente interno são introduzidas na vagina, elas criam um campo adequado para a desenvolver a dioxina (substância química que pode estimular um maior sangramento), já que permanece um tempo mais longo que um simples algodão. Esta é também a razão pela qual a TSS (Síndrome do Choque Tóxico) ocorre se você passar mais tempo que o máximo permitido (8 horas) com absorvente interno.
É comum ouvir de pessoas que optaram por usar absorvente interno que o fluxo está mais intenso. Acima está o motivo, que pouco explica-se.
Para algumas pessoas pode até parecer mais nojento, afinal, quando você tira, o fluxo daquele período do dia está ali, todo à vista. Na minha opinião, é menos porque você não fica vendo aquilo o dia inteiro, cada vez que vai ao banheiro, como quando usamos absorvente. Só na hora de tirar.
Sem contar que, como a pele não fica abafada, não sente-se aquele odor típico de quem usa absorvente, especialmente os tradicionais.

E ainda dá para praticar esportes, especialmente os aquáticos e ir à praia/piscina sem aquela tensão de quem usa absorvente, se vai suportar, vazar, porque a área “está isolada” pelo copinho.

A limpeza não é muito difícil: água, sabonete íntimo (opcional) e ferver o coletor (em um recipiente de silicone ou ágata) antes do primeiro uso do mês e no fim do ciclo.
Costumo fazer as trocas no banho. Acho menos propenso a acidentes e mais higiênico.

 

Tem gente que considera o coletor uma regressão, estamos voltando ao “tempo da toalhinha de pano”. Não comecei a usar o coletor por “motivos ecológicos” (citados na foto acima), mas porque queria o mínimo de contato com a secreção e odor característicos desse período do mês.
Mas confesso que poder passar pelo período menstrual praticamente sem vê-lo foi a melhor coisa que me aconteceu nos últimos tempos.

 

Avaliando em resumo: achei a troca muito válida, mesmo com os percalços de adaptação.
Passei a conhecer mais meu corpo, meu período menstrual diminuiu em 2 dias e aquilo que mais me incomodava – o cheiro e o contato com o sangue – agora são mínimos.

 

Para quem está interessada em adotar o coletor, recomendo muito o grupo do Facebook “Coletores Menstruais“.
Apesar de serem rigorosas na aceitação de novos membros (por questões de segurança e proteção das participantes, já que trata-se de assuntos muito ínitimos) tudo que alguém que queira ou já esteja testando o copinho precisa, está lá. Não existe dúvida que não esteja esclarecida, de tipos e marcas até questões de adaptação, limpeza.

 

Agora me sinto mais tranquila para encarar os ciclos restantes com menos incômodos e irritações característicos da época. Porque já bastam a TPM e seus sintomas, não é não?

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